?

Log in

Cimentismo [entries|archive|friends|userinfo]
cimentismo

[ userinfo | livejournal userinfo ]
[ archive | journal archive ]

O [Aug. 9th, 2010|12:11 pm]
cimentismo
Cimentismo vive.
linkpost comment

7 Centímetros De Cimento [Mar. 7th, 2007|11:40 pm]
cimentismo

A velha vê televisão, são três da tarde e os programas para idosos estão no ar. Está sentada ali desde o almoço, mas aborrece-se ao ponto do tédio doer mais do que a coluna dorsal. Agarra no ferro frio do poste de soro com rodas a que está constantemente agrilhoada e leva a fraqueza do seu corpo em passos curtos até á janela. É um dia quase bonito, quase de Primavera. Poucas nuvens entristecem o céu. Nada se passa nas ruas, pelo menos assim faz parecer o vento que nenhuma notícia traz nas suas brisas frias. Se os diabetes não tivessem encarquilhado o seu corpo até à velhice antecipada, se as varizes nas pernas significassem apenas varizes, se o coração não estivesse perto de expirar e se conseguisse respirar sem a assistência dos tubos cravados narinas adentro, ela decerto sairia e aproveitaria o dia. Mas não pode, e uma lágrima quase se revolta por isso. A angústia trepa pelo ventre que já acolheu um infinito de dores mendigas, e pára na garganta, fica suspensa como um eclipse dentro dela. Decide ir beber um copo de água, para refrescar o corpo que parece pedir a morte que ela adia. Ela olha para a parede da cozinha e lembra-se: do outro lado da parede vive aquela menina que ela cuidou quando era pequena.

 

A rapariga vê televisão, são três da tarde e o namorado telefona. Está quase a chegar, e talvez afaste o tédio onde ela se deita, o tédio que faz crescer raízes à volta dela enquanto ela se dormita, e que mais tarde não a soltará dos seus ramos. A campainha grita, e talvez seja ele. É ele. Vão para o quarto, é o momento. Ambos esperavam por ele, mesmo sem dizer que o esperavam. E sem um saber que o outro também o esperava, a ansiosidade da espera cresceu, como se fossem dois famintos a ver um prato cheio de comida dentro de uma redoma de vidro inquebrável. A casa está vazia, as persianas estão meio puxadas para baixo, e os corpos não querem desperdiçar a sua juventude efémera. É o momento. Um beijo desesperado e uma mão a sentir um seio por cima da roupa. A mão a quedar-se para o interior das calças femininas com o joelho rasgado e o beijo persiste. Despem-se para o conhecimento da superfície do outro pela sonda na ponta dos dedos. Os orgãos encaixam-se e os olhos fecham-se. Ondulam em letargia e explodem um dentro do outro no orgasmo. A rapariga vai deitar o preservativo no caixote do lixo. Na cozinha, lembra-se: do outro lado da parede vive aquela senhora que cuidou dela quando era pequena.


Subterranian

link3 comments|post comment

(no subject) [Mar. 1st, 2007|01:59 am]
cimentismo
[Current Location |ali]
[music |qq cena de metal]

Era uma noite em que toda a gente estava aborrecida. Duas pessoas que se conheciam há dez anos, trocavam uns beijos e amassos pela primeira vez, entusiasmados pelos copos e baralhados, cada um imaginando estar com uma outra ou um outro qualquer que para todos os efeitos não estava lá. Passou um bófia, olhou-os de soslaio e prosseguiu o seu caminho. Desgrudaram-se por uns momentos mas não se olharam, isso ia estragar tudo. Tentaram ,ali, fingir ternura mas optaram pelo modo mais básico, toques frenéticos ao longo das costas, mãos decididas a passar pela cintura e ocasionalmente uns chupões (mas contidos).   
Quando se fartaram, caminharam lado a lado em silêncio e com as mãos a tremer de culpa dentro dos bolsos do casaco. Passou-lhes um bêbado e eles dispensaram uns dedos de conversa para tornar a noite mais caricata e entre amigos. O bêbado disse que queria encontrar um espaço em que conseguisse meditar o dia todo, sem trabalhar, sem pensar, sem sentir e fazer com que a sua alma fosse tão independente quanto o seu vício. Ouviram com paciência e com uma simpatia fora do vulgar mas depois continuaram a descer a rua a pensar que ia ser uma porcaria acordar de tarde com náuseas e a cabeça pesada mais a culpa de várias coisas que só fazem sentido nessas alturas.
Então, ele parou, cofiou o queixo. Olhou-a pela primeira vez desde os amassos, disse que ia comprar duas cervejas e afastou-se. Passou pelo bar e continuou até desaparecer numa esquina. Ela não o chamou porque ia fazer exactamente o mesmo, só ficou melancólica porque ele se lhe antecipou.




 
link4 comments|post comment

(no subject) [Feb. 9th, 2007|10:31 pm]
cimentismo
espero que não chova num dos meus funerais


ockauzina falange #1
linkpost comment

(no subject) [Feb. 9th, 2007|10:18 pm]
cimentismo

aqui há dias vi um comuna na rua que é o mesmo que dizer que vi um gajo de aspecto magro e de t-shirt vermelha e de casaco de couro e que é o mesmo que dizer que vi um eterno combatente e um chato cheio de balelas e teimosias e que é o mesmo que dizer que vi uma bola de naftalina que limpa a cara com o das kapital na versão original pura e dura com lombada a apodrecer por causa dos bichos que gostam de devorar merda e que é o mesmo que dizer que vi EU MESMO COM OS MEUS PRÓPRIOS OLHOS 1 E 1 ESTE E AQUELE 2 AO TODO um rafeiro a morder os sapatos de todas as pessoas que vê 

ELE VIU-ME E ESTENDEU-ME A MÃO LOGO DEPOIS DE ME CHAMAR CAMARADA E EU NÃO APERTEI A DELE E PENSEI QUE OS COMUNAS PENSAM QUE TÊM AMIGOS E COMPANHEIROS COM QUEM PODEM CONTAR PARA VOAR COM AQUELE BICHO QUE APARECE NO NEVERENDING STORY QUE PARECE UM DALMATA SEM PINTAS E COM ASAS E COM UM AR BEM DISPOSTO PORQUE ACORDOU TARDE QUENTINHO NA CAMA E ESTÁ A LEVAR CAMARADAS PARA LÁ DO MUNDO MATERIAL


ockauzina falange #1

link1 comment|post comment

(no subject) [Feb. 9th, 2007|10:15 pm]
cimentismo
não sei qual é a piada em fazer uma circuncisão à chuva


ockauzina falange #1
linkpost comment

Entre Linhas [Feb. 1st, 2007|05:40 pm]
cimentismo
Ele nasceu na mesma condição que todos nascem: ensanguentado, gelado, choroso e pequeno demais em comparação com aqueles que o seguravam. Ele nunca viu nenhuma diferença entre esse dia e os outros milhares que já vivera: permanecia gelado, choroso e pequeno demais em comparação com aqueles que o largavam. Já não estava ensanguentado: todo o sangue que ainda tem, guardou-o na alma, para encrostar confortavelmente em redor dela, enclausurando-a. Todos os dias perguntava-se o porquê dos acontecimentos desse dia em que nasceu. Fazia-lhe tanto sentido como o sol no céu, que não lhe aquecia a pele, ou como a queda da chuva, que não lhe lavava as lágrimas. Absurdos, tudo absurdos. Já vira o cano de uma arma apontada ao crânio, com uma bala de calibre 0.44 impacientemente esperando a adrenalina da viagem por ar e pele e carne e osso e cérebro e osso e carne e pele e ar e a parede de tijolo, nas ruas do seu bairro. Já vira uma ponte ruir à sua frente, arrastando nos destroços a direcção que lhe foi apontada pelos seus sonhos e esperanças, naquele dia em que perdeu o seu emprego. Já vira o desapontamento a tomar a forma de uma face, ao ver o seu pai calar-se quando lhe disse que era homosexual. À luz serena e fugaz da lua da meia-noite, todas as perguntas do mundo precipitavam-se para dentro da sua cabeça. Questionava o seu próprio ser, a legitimidade de ser e a obrigatoriedade de ser. Não sabia porque era assim, não podia ser assim, nem queria ser assim, mas não podia ser de outra forma. As noites passavam por ele como os pássaros por uma árvore, agitando-o mas nunca o movendo de lugar. E os dias vinham como bombardeamentos: o sol a trepar o céu no horizonte era como o ruído dos aviões inimigos a crescer na sua direcção e os primeiros sons da cidade acordada era como as primeiras bombas detonadas á distância. Ele vai
passando pela sua própria vida vendo pouco mais do que os momentos de dor. Uma galeria de arte vazia, exceptuando alguns quadros com motivos tristes. Hoje, que pertence ao sempre que lhe exige tanto, ele vai sair de casa, procurar emprego, voltar desapontado e tocar com os olhos nos dois fiordes que flutuam nos glóbulos oculares do pai. Lembra-se disso enquanto está no fotógrafo a fingir outro sorriso, e a câmara vai disparar.
E amanhã ninguém saberá que a história no jornal estava a ser escrita há muitos anos.

Subterranian
link1 comment|post comment

Apresentação [Dec. 15th, 2006|03:28 am]
cimentismo
Olhava-me o luar enquanto fitava o Sol. Escurecido estava o tecto e chão de soalho. Brilhando por paredes o Sonasol. À janela mostrava o caralho.

Mostrem-me essa química que eu espalho-a já aqui na merda da física se é que me apetece espalhar alguma merda. Levanto-me já desta cadeira se cagares sem desviar o olhar por uma única vez da merda do cabelo ao espelho. Se entretanto me pedires desculpa pela ignorância das tuas palavras de ontem, juro, mas juro mesmo que te mato. Cortava-o e mordia-o se me arrastasse para o mundinho de merda onde as árvores são castanhas e verdes e o Sol é amarelo num céu azul de merda. Queria acariciar ratos. Comia tudo o que me aparecesse à frente e se fosse possível corria até atingir um orgasmo. É incrível a quantidade de estupidez que pode sair da boca duma pessoa, não me apetece nada considerar que há momentos na vida de um homem em que se diz "pronto, agora chegou a hora de morrer, vamos lá a isso, caralho", é por isso acho que a vida faz um significado. Hoje quando acordei de manhã andava cheio de manias: era o frio, era o sono, era a fome, eram as pessoas, era a roupa, eram os dentes, eram as necessidades fisiológicas, era o mover-me, etc. Há um método para tudo neste mundo e se fizeres festinhas a um cão que não conheças ele vira-se e pode morder-te violentamente. Quando te aleijas só ficas quieto se fores parvo. Quando te aleijarem, enche-te de raiva e ataca como se fosse o último momento da tua vida. Enche-o de sangue. Quero que ouças os ossos dele a estalar.


Cocaína
linkpost comment

Congo Bongo [Nov. 23rd, 2006|05:20 pm]
cimentismo
Congo Bongo é um jogo de computador que surge em 1983. Apadrinhado pela SEGA, este jogo tinha o intuito de responder ao sucesso do seu rival Donkey Kong, lançado dois anos antes e que gerara imensas receitas na Nintendo. O objectivo do jogo é apanhar um macaco chamado Bongo.

Depois de ter sacado o jogo da net, o Sr Ohura experimentou-o com bastante curiosidade. Assim mantinha este monólogo dentro de sua mente, à medida que o ia experimentando:

- As saudades que eu tinha deste tipo de jogos. Isto é mesmo bonito. Tão simples e fácil de jogar. Não é como as modernices de agora em que são precisas legendas e manuais para se perceber alguma coisa.
- Daqui a nada chega o Hidetoshi, vou só jogar mais 5 minutos, isto é tão giro. O rapaz é espectacular. Às vezes apetecia-me dizer-lhe o orgulho que tenho nele. Tira notas espectaculares na escola. Qualquer dia está-me a sustentar. Mas acho que não ia gostar disto. Só o vejo de volta do Final Fantasy e do Pro Evolution Soccer.
- Perdi, que parvoíce. Já estou um bocado farto disto, acho que já não tenho idade para estas coisas.
- E agora, que é que vou fazer? Acho que vou à casa de banho. Não me apetece lá muito, que preguiça tenho de ter que limpar o cu. Vou mais daqui a bocado. Não tenho assim tanta vontade.
- Vou regar o Bonsai.

No outro lado do planeta uma criança morre a norte de Toronto, no Canadá. É encontrada morta num caixote do lixo. Suspeita-se que a mãe a tenha abandonado devido a pressões por parte do pai, que chegou inclusive a ameaçá-la de separação, argumentando que não havia dinheiro para sustentar mais um. O pai e a mãe desta criança conceberam-na na noite em que foram ver o King Kong ao cinema. A versão que viram, de Peter Jackson, é um remake do filme que inspirou o jogo Donkey Kong, da Nintendo.

Go figure.




Otto Taat Hcazach
linkpost comment

Acontece [Nov. 22nd, 2006|11:41 pm]
cimentismo
26 de Novembro de 2008 - Manifestação pela beatificação do "porque sim": argumentação é masturbação - Avenida 24 de Julho pelas 17:30.

31 de Março de 2009 - Marco Almeida barrica-se na sede do Campomaiorense exigindo os salários em atraso que remontam a 1998.

2 de Junho de 2009 - Às 20:40 acaba o stock de Trident Fruit no Jumbo de Alfragide.

19 de Novembro de 2009 - Manuel Subtil conta a história da sua vida na estreia do programa «Há vidas fodidas». A RTP começa a promover desde então o uso de palavrões na sua grelha televisiva.

25 de Dezembro de 2009 - Nasce uma criança exactamente à meia noite deste dia. O rapaz, que inicialmente se iria chamar Alberto José de Pinheiro Aguiar, em homenagem ao melhor marcador da Superliga 2007/2008 - o húngaro Bezé -, passa agora a chamar-se Jesus de Pinheiro Aguiar.

11 de Fevereiro de 2010 - O Tojó deixou de ser virgem porque a Vanessa lhe abriu as pernas depois de fazerem o trabalho de grupo de Ciências da Terra e da Vida.

30 de Abril de 2010 - Manuela Moura Guedes declara em directo no Jornal Nacional que padece do vírus HIV e, lavando-se em lágrimas, pede desculpa aos telespectadores por aquele desabafo.




Otto Taat Hcazach
linkpost comment

navigation
[ viewing | most recent entries ]
[ go | earlier ]